Ameaças do regime não param manifestações no Irão

O regime de Teerão acusa os Estados Unidos e Israel de estarem por trás dos protestos.

RTP /
Imagem fornecida à agência Reuters Foto: via Reuters

Apesar das ameaças, as manifestações continuam a sair à rua no Irão. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram milhares de pessoas reunidas na capital iraniana.

São já considerados os maiores protestos dos últimos anos em Teerão.

As manifestações espalharam-se por grande parte do país nas últimas duas semanas, com os manifestantes a exigirem o fim do regime.
As autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de fomentarem o que apelidam de "distúrbios", isto depois de o presidente norte-americano ter deixado a ameaça de atacar o país se o regime continuar a reprimir os protestos de forma violenta.

Os Estados Unidos vão intervir se o Irão começar a matar pessoas, reiterava esta sexta-feira Donald Trump perante os jornalistas, na Casa Branca. Mas, prometeu o presidente norte-americano, "sem tropas no solo iraniano".

"Vamos atacá-los com muita força onde dói", afirmou Trump em tom de aviso, acrescentando que "Estamos a acompanhar a situações de muito perto".

Esclareceu que qualquer envolvimento dos EUA no país não significa "tropas em solo iraniano".

"O Irão está em grandes apuros", disse Trump.

"Parece-me que as pessoas estão a assumir o controlo de certas cidades que ninguém imaginava ser possível há algumas semanas", acrescentou.

Estas declarações faziam eco das ameaças do presidente norte-americano na véspera, quando prometeu "atacá-los [ao Irão] com muita força" se "começarem a matar pessoas".

Entretanto, já este sábado, o opositor iraniano no exílio Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irão, apelou aos manifestantes para que "se preparassem para tomar" os centros das cidades, no 13.º dia de um movimento de protesto.

Numa mensagem publicada na rede social X, Pahlavi exorta os iranianos a "saírem todos às ruas" hoje e no domingo ao final do dia, "com bandeiras, imagens e símbolos patrióticos e a ocuparem os espaços públicos".

"O nosso objetivo já não é apenas sair às ruas; o nosso objetivo é preparar-nos para conquistar e defender os centros urbanos", refere.

O autoproclamado príncipe herdeiro do Irão afirma-se convencido de que as manifestações conseguirão colocar "completamente de joelhos a República Islâmica e o seu desgastado e frágil aparato de repressão" e insta os trabalhadores a convocarem uma greve geral para redobrar a pressão sobre o Governo.

"Apelo aos trabalhadores e funcionários de setores-chave da economia, especialmente transportes, petróleo, gás e energia, para que iniciem um processo de greve a nível nacional", lê-se na mensagem no X.

Reza Pahlavi anunciou ainda estar a finalizar os preparativos para regressar ao Irão, quando as circunstâncias forem oportunas: "Também me preparo para regressar à minha pátria e estar convosco, a grande nação do Irão, quando a nossa revolução nacional triunfar. Acredito que esse dia está muito próximo", disse.

O Irão está prestes a completar duas semana de manifestações que eclodiram com a queda da moeda nacional e que acabaram por degenerar em distúrbios que provocaram, segundo Organizações Não-Governamentais (ONG), cerca de meia centena de mortos devido à repressão das forças de segurança.

c/ Lusa
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